sexta-feira, 8 de agosto de 2008

A trilha sonora de cada dia - #1

Embora seja um colaborador antigo da casa – acho que minha primeira matéria foi publicada na RP #3 ou #4 -, relutei um pouco em aceitar um blog no portal. Isso porque, em10 anos, é fácil perceber como a vida limita nosso tempo para coisas legais. E falta de tempo é algo que, definitivamente, não combina com a idéia de blog.

Mas, indo contra essa lógica e sendo teimoso, aí está: topei o projeto de manter um blog no portal RP e falar de música com paixão e sem compromissos formais chatos.

E o tema do primeiro post me parece uma boa síntese disso…

Como trabalho com comunicação e desde (quase) sempre com pessoas que gostam de música, a trilha sonora é uma freqüente no dia-a-dia.

Hoje deparei com uma seleção surreal no iTunes e que me fez perceber justamente isso que citei no início do texto: a passagem do tempo.

Li que o Judas Priest vai tocar no Brasil em novembro. Faltam quase 4 meses inteiros para o show e os ingressos já estão à venda. Exagero? Não sei. Mas o que não falta é fã de metal no Brasil e certas bandas de certa geração reciclam seu público com uma facilidade impressionante. O que só comprova que o heavy metal é o gênero juvenil por excelência.


Momento máquina do tempo:
Nunca fui fã de Judas Priest. Nem quando tinha 14 ou 15 anos e estava na faixa de audiência da banda. Mas gostava de algumas músicas. Me recordo que gravei em fita cassete o álbum ao vivo “Unleashed in the East” – direto de um jurássico programa de rádio de São Paulo chamado Sessão Rockambole. Eles tocaram o disco na íntegra e, da FM, ele foi parar numa das minhas fitinhas BASF laranja-e-preto.

Alguns anos depois, ganhei de presente de um tio sul-africano que estava em visita ao Brasil, um LP do Lionel Ritchie. Em plena efervescência rockeira, o querido Uncle Tony me presenteia com uma coletânea do cantor de “Hello” e “All Night Long”! As intenções foram as melhores possíveis, mas disco era artigo de luxo naquela época – estamos falando de 1985 – e preferi ser menos político e mais prático: pedi licença e fui trocar o LP na minúscula loja do centro de São Paulo.

A coisa mais próxima do rock que eu gostava e que encontrei por lá foi o disco “Hell Bent for Leather”, do Judas Priest. Fiz a troca, mas também não foi uma grande emoção. O álbum era mais-ou-menos e a única música boa era a faixa-título.

De volta a 2008:
Terminei de ler a notícia sobre a vinda do Judas, eternamente com Rob Halford, KK Downing e Glenn Tipton em sua formação, e, em dois cliques, abri o iTunes pra ver se achava alguma coisa da banda em meio aos 27 GB de música do meu Mac.

Pior é que, sei lá como, existe uma pasta do Judas Priest no player! Nem me lembrava disso e, suponho, os arquivos foram parar ali por conta de algum amigo que descarregou seu iPod.

Ouvi umas 10 músicas. Incluindo “Hell Bent for Leather”, que hoje ainda soa bacaninha, e “Freewheel Burning”, que tinha um video-clipe hilário. Não aguentei passar da décima faixa. Os músicos são bons para o estilo, mas a maçaroca de riffs cansa qualquer um. E se as guitarras são estridentes, a voz de Rob Halford é ainda mais. Quase todos os clichês do metal estão condensados no Judas Priest. Sem a pretensão de ofender os fãs, mas é o material de trabalho do Massacration.

Depois dessa, e para descansar os ouvidos, dei a vez para a coletânea de hits do Tears for Fears,“Tears Roll Down (82-92)”. E que diferença!

A proposta é outra, claro, e não sou muito adepto a comparações, mas como evitar que o playlist esquizofrênico me leve a pensar no abismo existente entre as duas bandas?

Tudo o que falta em classe ao JP sobra a seus conterrâneos Roland Orzabal e Curt Smith. Arranjos e vocalizações primorosos se juntam a um instrumental refinado sob uma gravação nível AAA.

A concepção artística ultrapassa seu tempo, ainda que o Tears for Fears esteja emoldurado nos anos 80 como o pop-rock bom daquela época.

Só que, ao contrário da turma das correntes, calça de couro e motocicleta, seu retorno não foi saudado com o entusiasmo devido. O álbum que marcou a volta da dupla Orzabal & Smith em 2004, esperta e ironicamente intitulado “Everybody Loves a Happy Ending”, não repercutiu o que merecia, embora as críticas que li tratem o trabalho como um comeback triunfal. Uma passada de olhos nas emocionadas resenhas de fãs na loja virtual Amazon.com dá a idéia de como os caras acertaram em cheio.

O Judas Priest, por sua vez, gravou um disco bem sucedido para os padrões de hoje – seu segundo após a volta de Halford – e com um título que só confirma o aspecto juvenil do metal tradicional: “Nostradamus”. Parece que foi o primeiro trabalho da banda em 3 décadas a emplacar na parada da Billboard. Surreal!

É a sensação de passagem do tempo de que estava tratando lá nos primeiros parágrafos: talvez eu não conseguisse entender, na época em que eram populares, o poder de canções maravilhosas como “Mad World” e “Pale Shelter”. Os 90’s precisaram chegar para me fazer entender o Tears for Fears.

Essa mesma coletânea que hoje salvou minha tarde, foi adquirida por mim em seu ano de lançamento e foi quase uma revelação, Fui atrás do CD em parte por conta da excepcional “Laid So Low”, canção-bônus escrita por Orzabal especialmente para a compilação, numa época em que Curt Smith já havia debandado do Tears for Fears. Mas não tem desculpa: na década de 80 eu não entendia o TFF.

Nos tempos de adolescente, até o razoável Judas Priest atraía mais minha atenção, mesmo sem jamais ter sido um favorito da casa.

E o lado bom de tudo isso é poder relativizar a importância da música em cada época da sua vida. Hoje dá pra entender que o Judas Priest soe meio chucro e caricato, mas ainda assim achar “Hell Bent for Leather” e “Breaking the Law” bacanas.

Mas passar de 10 músicas, aí, não dá. =P

3 comentários:

Fábio disse...

muito bom edu! acredita que eu tambem nao entendia o tears for fears nos anos 80? nao que os entenda agora, mas soa bem melhor que antes. curiosamente assisti outro dia o video da musica "pale shelter" no programa classicos da vh1 (muito bom por sinal pra quem gosta de um revival) e pensei mais ou menos o que voce escreveu, que a banda era muito boa!
quanto ao judas priest acho que ate hoje nao entendo o som deles! rs...
so pra finalizar, se fosse eu nao teria trocado o lp do lionel ritchie!!!
abs!

Cristina disse...

Oi Edu!,

Como Duranie emérita nunca dei pelota para as Tias Fofinhas (hehehe)... mas depois de suas tão bem escritas palavras fiquei curiosa e vou atrás desses caras...

Bjssssss

Cris

Claudix Adamantium disse...

MUITO legal sua estréia, baby!!! Bem vindo afinal:)))